A escolaridade dos fiéis
17 Março 2008 – 12:13 pmPor Bispo James Mytho
O desenvolvimento de uma religiosidade, e o exercício da fé, independem da classe social e da escolaridade. A capacidade de acreditar em algo está dentro de cada pessoa, e de uma forma geral, as pessoas continuam a acreditar em Deus.
Porém, quanto menor a condição sócio-cultural, mais suscetível a pessoa está as crendices e dogmas irracionais. Quanto menor o grau de instrução de um povo, quanto menor o acesso a uma cidadania plena, maior será o fundamentalismo religioso, como uma válvula de escape para os problemas cotidianos.
Ao analisarmos o indicador escolaridade (“anos de estudo”), percebemos que não existem mudanças significativas entre as religiões, especialmente entre católicos e evangélicos. Tomamos por base dois aspectos:
•A quantidade de analfabetos dentro de cada religião;
•A quantidade de fiéis com 15 ou mais anos de estudo, dentro de cada religião.
Analfabetos dentre os fiéis de cada religião (Censo/IBGE 2000):
•16,38% dos católicos são analfabetos;
•11,99% dos evangélicos são analfabetos, (15,31% dos pentecostais, 8,67% dos não-pentecostais);
•3,29% dos espíritas são analfabetos;
•8,51% dos umbandistas e candomblecistas são analfabetos.
Fiéis com 15 ou mais anos de estudo, em cada religião (Censo/IBGE 2000):
•4,94% dos católicos;
•3,08% dos evangélicos, (1,5% dos pentecostais, 6,42% dos não-pentecostais);
•21,11% dos espíritas;
•7,15% dos umbandistas e candomblecistas.
* Ter 15 ou mais anos de estudo formal, significa ter acesso ao nível superior (completo ou incompleto). Apenas, uma pequena parcela da população brasileira (4,9% do total) consegue chegar a esse nível. Poderíamos dizer que, de certa forma, esses brasileiros pertencem a alguma elite (mesmo que não se considerem como tal).
Analisando os dois conjuntos de dados, concluímos que os espíritas são os mais bem posicionados nesse quesito. Eles têm o menor percentual de fiéis no analfabetismo, e o maior percentual entre os mais letrados. Os evangélicos pentecostais são os que tem os piores índices, pois apenas 1,5% deles chegam a esse nível. Porém entre os analfabetos, os pentecostais são superados pelos católicos que tem o maior índice.
Os católicos são sempre a maioria numérica em qualquer quesito, porém quando se mede o percentual de católicos nas classes mais altas, se verifica que apenas uma minoria, entre eles, é que se constituem como uma elite. Ou seja, não foi o catolicismo que fez com que o individuo estivesse na elite.
Outro dado interessante é que umbandistas e candomblecistas quando se assumem, apresentam escolaridade acima da média. Eles têm menos fiéis analfabetos que católicos e evangélicos, e mais fiéis no nível superior, embora sejam uma minoria numérica.
Apenas 4,9% de brasileiros têm 15 anos ou mais de instrução. Nesse grupo, as religiões se representam da seguinte maneira:
•74,0% são católicos;
•9,33% são evangélicos;
•6,72% são espíritas;
•0,53% são umbandistas ou candomblecistas;
•2,66% são de outras religiões;
•6,65% não tem religião;
•0,11% indefinido.
Os católicos, numericamente, são a maioria nesse quesito. Porém, só chega a esse nível uma pequena minoria de católicos, pois esses 74% de brasileiros, com 15 ou mais anos de estudo, correspondem a apenas 4,94% de todos os brasileiros católicos. E eles são a maioria entre os analfabetos.
É interessante notar que nesse grupo, temos 2,66% de brasileiros que professam outras religiões, o que mostra que quanto maior o acesso a informação, maior se torna a diversidade religiosa.


























