Religiões ainda são necessárias ?

1 Abril 2008 – 8:22 pm

Nada tenho contra as religiões, inclusive entendo que elas se fazem necessárias como instrumentos de assistência social. O meu objeto de crítica é o autoritarismo religioso, as incoerências, os desmandos, e os pseudo-pecados. As religiões falharam no seu papel social, não acabando com as injustiças sociais, com as discriminações, e com as mazelas humanas. Pelo contrário, a religião se utiliza destas coisas para exercer a sua influência social, para concretizar o seu projeto de poder político-econômico. Em troca, o que as pessoas ganham ? Um consolo ? A paz de espírito ? A salvação ? Será que é assim mesmo ?

Existem três formas de religião: a institucional, a comunitária e a pessoal. A primeira forma está em franca decadência, apesar das tentativas desesperadas de alguns religiosos de revigorá-la.

A religião denominacional

A religião, do ponto de vista institucional ou denominacional, é uma organização político-social (e muitas das vezes econômica) cuja intenção é controlar as pessoas. A religião denominacional, geralmente, se propõe a “ensinar” as pessoas quais seriam as verdades de Deus, e o que as pessoas deveriam fazer para serem “salvas”, se apresentando como uma espécie de “caminho” que conduz o homem a Deus. Através de uma denominação religiosa, as pessoas conheceriam a “verdade” que não conhecem, seriam “doutrinadas” e com isso estariam aptas a crerem em Deus.
Fora da religião, o homem estaria nas “trevas”, ou no mínimo afastado de Deus (ou melhor do deus da religião em questão). O que legitimaria a atividade religiosa seriam as obras filantrópicas e alguns “milagres”. Esses “sinais” calariam a boca de qualquer um que criticasse a religião. Porém, são esses “sinais” verdadeiros ? Podemos acreditar cegamente nas religiões ?

A religião denominacional não aceita questionamento, e tem dificuldade de tolerar ambientes multiculturais (já que só meia dúzia de gatos pingados conhecem “a verdade”). Ao longo da história, diversas guerras aconteceram em nome de alguma religião. E mesmo nos dias de hoje, muitos preconceitos permanecem porque sustentam dogmas. A religião denominacional tem dificuldade de reconhecer outras formas de religiosidade porque isto implica na revisão de seus próprios conceitos, e na diminuição do seu poder temporal.

A religião comunitária

A religião comunitária é uma forma simples de denominação, embora, às vezes, nem aceite esse rótulo. Trata-se de um grupo de pessoas que reúnem-se para fazer algum culto, mas sem aquela intenção de “dominar”. Muitas das vezes, há bastante sinceridade, porém quando algum líder carismático é admitido na comunidade, é provável que futuramente, ela se torne numa religião convencional.

A religião pessoal

A religião pessoal ocorre quando a pessoa passa a buscar, por si mesmo, a resposta para os seus dilemas, e quando a encontra, elabora a sua própria religiosidade. É uma forma “personificada” de religião onde o foco é o suprimento das necessidades específicas do indivíduo e não de uma coletividade.

Também há sinceridade nessa forma de religião, porém muitas pessoas acabam adotando algum rótulo (p. ex: “católico não-praticante”) para se legitimar, ou seja, se justificar e receber a aprovação dos outros. A sociedade confunde Deus com religião/denominação, o que faz com que as pessoas se sintam constrangidas, quando pensam “diferente”.

É como se fosse quase que impossível acreditar-se em Deus sem estar filiado a alguma religião (denominação). Mas será que isso é verdade ? Será que a religião muda a vida das pessoas ? Será que vale a pena seguir algo que é duvidoso ?

É possível acreditar em Deus sem ter religião. Na verdade, o que muda a vida das pessoas é a fé e não religiões (seja qual for).

Uma coisa é certa: as religiões podem se equivocar, elas também podem errar. Então, temos que ter senso crítico. Temos que analisar tudo o que nos é dito. As religiões denominacionais não mudam a vida de ninguém, porém, muitos acabam continuando nas religiões (ou melhor, dizendo que tem), por falta de opção. “Ruim com ele, pior sem ele”, é o que dizem. Qual alternativa nós teríamos ?

Bem, primeiro nós temos que desconstruir a idéia de que só é possível encontrar Deus através de alguma religião. Na verdade, a fé está dentro de nós e podemos exercitá-la sem a ajuda de gurus. Claro está que a crítica é para com as religiões, e não para a existência de Deus.

“Entendo que a sociedade até necessita de ter as suas religiões formais, mas o indivíduo só se satisfaz, realmente, quando tem a sua fé exercitada”.

“A religião formal não consegue mudar o homem interior, no máximo, o exterior. E considero mais importante o homem interior do que o exterior, a religiosidade do que a religião”.

“O homem precisa ter alguma religiosidade, mas algo que não o estigmatize, que não castre a sua liberdade de expressão ou de escolha. Ele precisa entender a si mesmo, ele precisa entender o que está à sua volta, e ele precisa entender Deus”.

É fato que a maioria das pessoas “religiosas” desconhece as origens de suas respectivas religiões. Nem se importam com isso, mas apenas em ter as suas carências supridas. Eles aceitam “ingenuamente” o que lhes é imposto sem questionar, já que isso pode ser um sinal de “desrespeito”, ou até de “pecado”.

Mas, como verificar a validade de uma religião se não podemos questioná-la ? É possível a fé e a inteligência coexistirem ?

A realidade é que as religiões manipulam as pessoas. A religião tenta fazer o indivíduo se tornar um fantoche, uma marionete, com a desculpa de ser a obra de Deus (ou melhor, o deus da religião em questão). Mas se a religião consegue gerar algum bem-estar, então conquistará muitos corações.

Tags: , , , , ,

Comentar