Liberdade às avessas
26 Abril 2008 – 1:34 amVivemos numa sociedade multicultural, multirracial e heterogênea. Um país laico, com leis seculares onde os velhos tabus e mitos são desmistificados para dar lugar a uma maior racionalidade, sensatez e senso de justiça. Ademais, temos maior liberdade nas nossas ações e escolhas, que nos proporcionam maior qualidade de vida (se a desfrutarmos com responsabilidade). Contudo, na alvorada do século 21, temos que nos deparar com a ascensão de grupos religiosos que insistem na manutenção de princípios e valores retrógrados.
As religiões fundamentalistas se proliferam, especialmente, nos meios menos desafortunados , onde as pessoas, carentes daquilo que é básico e elementar, se entregam à pregações que tentam se impor como a verdade absoluta. E essas pessoas acabam introjetando, nas suas estruturas psíquicas, sentimentos de aversão aos valores da pós-modernidade, o qual consideram como “bobagens” ou até perversões do “demo”. E chegam a se exasperar ao constatarem que aquilo em que acreditam não é muito popular; portanto verdades restritas aos ditos “escolhidos”, mas nem por isso “especiais”.
A realidade cotidiana parece ser, demasiadamente, frustrante para muitos brasileiros anônimos, figuras entregues à própria sorte. Andarilhos, desprovidos de uma perspectiva de dias melhores, os quais as novidades do progresso são miragens urbanas de uma realidade longínqua. Eles, e elas, parecem não ter outra escolha (aos olhos deles próprios).
Decerto que dentro do Brasil há vários países distintos e que são, às vezes, incompatíveis. Mas, se o povo, outrora, se constrangia em razão de seu subdesenvolvimento, agora o expõe como um estandarte de auto afirmação. E o fundamentalismo religioso se presta ao papel de legitimador desse processo. É uma inversão de valores, pois a exclusão social converte-se à qualidade de provação divina, sendo a recompensa um reino celestial (que para muitos representa a própria cidadania, num sentido figurado).
Ora, é um apelo quase irresistível para certas parcelas da sociedade, ainda tão distantes da tão falada pós-modernidade (e que foram desdenhados por ela).
A ampliação das liberdades individuais, a secularização, a desmistificação do transcendente, a diversidade cultural, a quebra de tabus, a compreensão das mudanças sócio-culturais são objetos da desconfiança de muitos crentes. Para estes, a liberdade é afirmar-se como diferente, mas num sentido nostálgico. É manter-se, ou tornar-se, contrário às novidades. É negar as mudanças, e ceder às subjetividades da superstição e do medo.
Todavia, está no Livro que “o amor lança fora todo o medo”; por que, então, ter medo de mudar ?
Tags: exclusão social, felicidade, laico, liberdade, pós-modernidade, qualidade de vida, religiões fundamentalistas, responsabilidade, tabus, vida feliz



























3 Comentários to “Liberdade às avessas”
Parece que andamos sempre em círculos, não é ?
Há alguns anos, tudo levava a crer que, pelo menos no Ocidente, tivéssemos ultrapassado essa fase e já íamos a caminho de um futuro que não sabíamos qual era, mas que seria certamente muito melhor que o passado de obscurantismo que tínhamos deixado para trás. Eis, que tudo se volta a baralhar e voltamos aos mesmos problemas do passado, entre os quais o fanatismo religioso. Dizia uma grande poetisa portuguesa já falecida - Natália Correia - que “actualmente” ser verdadeiramente revolucionário é ter memória. Se não foi exactamente assim, o significado era pelo menos este. Será que muitos de nós já perderam a memória do passado, será que já nos esquecemos do obscurantismo, das perseguições religiosas, da “santa” inquisição”, do poder autocrático e descricionário de alguns sobre quase todos os outros?
Infelizmente sou obrigado a concluir pela afirmativa. Mas, se todos os que acreditamos num futuro mais livre, remarmos todos na mesma direcção, estou convicto de que as trevas vão mais uma vez ser ultrapassadas.
By Sotnas on Abr 26, 2008
Para mim as trevas existem sim , sempre existiu e se continuarmos nos conformando com o nosso conforto aparente elas sempre existirão !
Conforto esse que não existem nem aparentemente para os moradores de rua, para aqueles que vivem da miséria! Então, para mim ´miséria é a treva !!!
By Maria on Jul 26, 2008
Amigos, acredito eu que se formos denominar as trevas, eu por mais pecador que seja hoje, denomino o Planeta Terra uma Treva, e estamos aqui sim para nos libertar dessas Trevas ao qual nos deixam com medo, vivemos sempre pecando quando demonstramos medo, pra que temer se existe Deus, mais tememos pois bem vindo, nascemos, vivemos nas Trevas e talvez quando morrermos chegaremos ao Deus tão esperado.
By Fábio on Jul 29, 2008