Eutanásia: Direito a vida ou morte digna

30 Abril 2008 – 5:06 am

Positivamente, as religiões prezam a vida humana como substrato essencial de suas doutrinas, notadamente no pensamento judaico-cristão e islâmico. Nessas religiões o suicídio é expressamente condenado, pois aquele que ceifar sua própria vida comete crime-pecado. “Não matarás”. Portanto, o crente que se mata, estará no inferno, condenado ao horror perpétuo. Não são apenas os problemas éticos que giram em torno da eutanásia, mas da própria base teológica da religião, em última análise, da relação do homem com o seu Deus e dos desdobramentos pós-morte, no plano metafísico, entre a salvação e a danação eternas.

O valor das religiões para os seres humanos não diminuiu com o passar dos tempos. Desde a Renascença, previa-se a supremacia da razão sobre a fé. “[…]Salomon Reinach apresenta, por exemplo, a religião como sendo “um conjunto de escrúpulos que opõe obstáculo ao livre exercício de nossas faculdades“. (REALE, 2002, p. 395).

Muitos pensadores e filósofos empreenderam cruzadas ferozes no sentido de derrubar a primazia ou a influência poderosa da fé, substituíndo-a pela letra crua do pensamento filosófico, propondo nova ética e moral agnóstica. Marx ao propalar a religião como o ópio das massas, ou Comte com sua religião positiva, o culto da razão, pois “o positivismo constituiu-se também em religião, cujo deus é a humanidade” (NADER, 1992, p. 176). É certo que a religião tem um papel relevante na sociedade, no exercício do controle social, se direcionando para os campos da ética e da moral, manifesta-se como imperativo categórico de valor absoluto, no papel de confortar o ser humano nas horas mais difíceis quando a razão e a filosofia não têm resposta para o sofrimento, ajudando-o a encarar os dilemas mais transcendentais, notadamente no enfrentamento da morte.

As regras de conduta esboçadas pelas grandes religiões em muito se assemelham, mas em sua maioria das vezes, representando de modo egoísta seu próprio interesse.

[1] NADER, Paulo. Filosofia do Direito. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1992.
[2] REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 19 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

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  1. Um Comentário to “Eutanásia: Direito a vida ou morte digna”

  2. Parabéns pelo blog, muito bem fundamentado e interessante, diferente do que se vê por aí. Pessoalmente, não conhecia o Deísmo e visitei as sessões explicativas do blog para ter um entendimento básico. Não tenho religião e não simpatizo com as mesmas, porém sempre associei meio que automaticamente quem crê em divindades com adeptos de alguma religião, crença/fé com cegueira da mente e preferência pelo não-pensamento e ter a mente guiada automaticamente por um pacote pronto de diretrizes.
    Apesar da posição divergente da maioria das pessoas, o blog trata o tema de maneira não agressiva, muito equilibrada.

    By Dmitry on Mai 14, 2008

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