Fé em Deus ou uma teoria sobre Deus?

3 Maio 2008 – 6:50 pm

Deus, ou o que se queira chamar como tal, é na maioria das vezes posto em dois extremos:

  • Um das religiões reveladas aonde ele (ele no sentido neutro, já que em português o gênero masculino das palavras também remetem ao neutro ou não-especificado) é visto como Pai, criador e mantenedor do universo e da vida, ele é visto como um ser de enorme potência e com características físicas e temperamentais de ser humano, aonde controversamente, ele é amor e justiça, mas também pode condenar ao castigo eterno, de acordo como a maioria dos seguidores do dogma e/ou doutrina cristã.
  • Por um outro lado, talvez devido as características apresentadas a cima, sua existência é negada, ele então é visto como o monstro espaguete voador, o amigo invisível do qual nós recorremos em tempos de tribulação, isso em um plano individual, e o déspota que é responsável pelas religiões do Oriente Médio e todo o banho de sangue que se segue direta ou indiretamente por cause de seu santo nome, em um plano social.

De antemão, não se pode afirmar a existência de um Criador, já que de um ponto de vista da ciência não se pode testar e provar como verdadeiro ou falso a existência do Criador, mas também a negação de sua existência é mais baseada em experiências pessoais e postura filosófica do que uma prova científica cabal. Alguém pode argumentar “se eu não posso nem provar nem refutar a existência de um Criador, também não posso provar nem refutar a existência de gnomos, bicho papão e do Monstro Espaguete Voador”.

De fato, ao se afirmar que é possível a existência de um Criador (nota-se que não há nenhum outro dado positivo além da teoria de sua existência, como esse Criador é, talvez seja nosso exercício de dar significado às coisas, mas não necessariamente ao atribuir algo a algum possível Criador essa seja a verdade) também se abra margem para a existência do Papai Noel e de Poisedon, por exemplo, rigorosamente falando sim, mas nosso conhecimento de mundo sabe que não existe um ser governando os mares no fundo do oceano e que o bom velhinho é uma bela alegoria de natal.

Mas a existência de um ser sentiente que tenha dado origem a tudo como clamam também as religiões reveladas não é, novamente, verificável, então o que se tem é uma teoria, para alguns o universo basta por si só, então o indivíduo se encaixa dentro do ateísmo, para outros, a existência de um ser sentiente do qual nossa razão humana (que usa apenas, na melhor das hipóteses, 10% do potencial de seu cérebro) não consegue atribuir maiores valores de juízo para uma deidade (talvez uma realidade fora desse universo aonde nossas leis físicas não se aplicariam), essa deidade talvez seja possível.

Então pode-se pensar “aonde isso vai nos levar?”, a única resposta que posso dar (agora em um tom mais pessoal) seja que ao falarmos de deidades ou a ausência delas, estamos usamos o que há de mais humano em nós, a capacidade de levantar hipóteses, testá-las e tentar chegar a um consenso sobre esse mundo que vivemos.

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  1. 2 Comentários to “Fé em Deus ou uma teoria sobre Deus?”

  2. Gostei do texto.

    Gostaria de fazer um adendo. As religiões fundamentalistas seduzem as pessoas pelas suas carências, então se a divindade existe ou não, não faz muita diferença para eles (conquanto que a divindade exista na cabaça deles). Pode ser confuso, mas eu diria que o “fator deus” agindo nas mentes das pessoas seria mais importante do que a própria existência do mesmo.

    By James Mytho on Mai 4, 2008

  3. Durante muitos anos a Igreja e a ciência entraram em confronto pela origem do universo, do mundo e do Homem. E porquê? Porque a Igreja pegou no narração dos Géneses e lia-a literalmente. Agora isso já não se passa assim. Toda a Bíblia deve ser lida de uma maneira diferente. E isto para dizer que a narrativa da criação não tem que ser assim mesmo: o 1º dia, o 2º dia,…
    Eu acredito na existência do Big Bang e de todas as transformações a ele associadas (como actual estudante de ciências e, penso eu, futuro trabalhador para ela) mas não nego a existência de um Deus. É impossível provar que Deus existe; mas alguém me prova que Deus não existe? NÃO!!!
    Ó Homem e outros seres apareceram por alterações; a vida na Terra apareceu depois de mudanças na atmosfera; a terra resultou de vários processos na altura do aparecimento do S. Solar; este veio por, ainda, resultado da explosão primitiva; essa explosão surgiu pela elevada quantidade de matéria a elevadas pressões, rica em energia. E aqui reside o ponto final da ciência. Pergunto eu: de onde veio a matéria??? Não é Lei básica da ciência que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”?
    Mais uma coisa: se se quisesse impor uma teoria rígida sobre a criação a Igreja teria eliminado as várias versões - a versão mulher da costela do Adão, a versão os dois criados ao mesmo tempo, e outra que não me recordo.
    Torno a dizer: por muito que recuemos, por muito que tentemos explicar as coisas, chegamos a um momento em que não podemos explicar nada. E aí? Aí grandes cientistas dizem que sim, “algo” existe.
    Após ter exposto sobre a ciência (que passou à categoria de única certeza no mundo), exponho agora a minha opinião pessoal. Creio num Deus que me ama. Creio num Deus que me dotou de vida para servir o mundo, com os meus conhecimentos e com os meus dons. Creio num Deus que me dá liberdade (ao contrário do que também se pensa). Creio num Deus cheio de amor, de compaixão, de misericórdia. Creio em Deus!

    By Daniel on Mai 7, 2008

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