Ciência como fé?
29 Maio 2008 – 9:30 amPaul Davies é um cientista britânico que dedica sua vida a estudar as “grande questões” da humanidade como a origem da vida, o surgimento do universo, se existem universos paralelos e etc. Neste artigo publicado pelo Jornal New York Times dia 24 de novembro, levanta a questão de como a comunidade científica acaba por tomar teorias/leis como uma sistema de crença.
O que se segue é um adaptação livre do artigo:
A ciência é tida como a mais confiável forma de conhecimento por ser baseada em hipóteses verificáveis. Já a religião é baseada em fé, crer apenas. Dentro do universo da ciência, o ceticismo é uma necessidade profissional, enquanto que em religião ter fé sem evidência é encarada como uma virtude.
O problema com essa separação em duas áreas que, a priori, não se combinam é que a ciência tem seu próprio sistema de fé, apesar de seus praticantes afirmarem que não tem. Toda investigação científica é feita com base de que a natureza é ordenada de uma maneira racional. Não se pode fazer ciência se se pensar que o universo é apenas um amontoado aleatório de matéria. Quando um cientista pesquisa um nível subatômico mais profundo ou o astrônomo tenta aumentar o poder de alcance de seus instrumentos, eles esperam encontrar uma ordem matemática elegante, e para tal é necessário “fé” no fenômeno, a hipótese, a causa primária da investigação científica, não se pesquisa se há vida em Júpiter, por exemplo, ao se assumir que as condições daquele planeta não permitem a vida. Não permitem a vida como conhecemos, mas quem garante que a vida tem que, necessariamente, ser baseada no carbono e existir dentro de parâmetros terrestres?
Quando se estuda física, as leis dessa ciência são admitidas como sendo completas, poderosas, o trabalho do cientista é descobrir as leis e aplicá-las, não perguntar de onde elas vêm. As leis físicas, nesse caso, são tratadas como dadas, impressas no universo no nascimento do cosmos e eternamente fixas e imultáveis.
Davies afirma que quando pergunta a seus colegas sobre o que dá motivação a essas leis, as respostas são do tipo que isso não é pertinente do ponto de vista da ciência, ninguém sabe ou elas são porque são, ou seja, acusa-se o religioso de jogar tudo para Deus ou Deuses mas também não é uma simplificação quando se afirma que é tudo arbitrário, que as leis matemáticas dão conta por si só de todos os fenômenos desse universo, se isso é verdade é de se esperar que nosso comportamento, nossas emoções, a própria consciência fossem guiadas por essas leis, a existência de vida como a conhecemos indica que as leis tem de ter uma forma, uma motivação, caso contrário provavelmente a vida não existiria nesse universo.
Claramente, nota-se que tanto a religião como a ciência são baseadas em fé, ou a fé em um Deus inexplicável ou em leis inexplicáveis, as duas abordagem não dão conta de como as coisas são nesse nosso universo pois ambas abstraem a gênese dos fenômenos.
Por fim, segundo o autor, as leis devem ter uma explicação de dentro do universo e não envolver um causa externa, como isso funciona é questão de investigação futura. Mas até que a ciência tenha uma teoria testável de como as leis do universo são o que são, clamar ser livre de fé é uma manifestação falsa.
Tags: ciência e fé, comportamento, Deus inexplicável, fé, new york times, paul davies, Taking Science on Faith






3 Comentários to “Ciência como fé?”
Muito interessante!!
Apóio quando falas sobre fé na ciência!
Os cientistas têm fé!!
Muito bom o artigo!
By Janaina on Jun 20, 2008
Fé na ciencia? mas que bobagem! quem defende tal posição sequer sabe distinguir teoria de fato cientifico. Não amigos, quem advoga a verdadeira ciencia não admite sequer a existencia da fé, pois a ciencia clama por comprovação e tal ânsia, não se acaba quando uma teoria se torna fato cientifico, e sim persiste, na vã tentativa de encontrar respostas mais fidedignas ao conhecimento ja estabelecido. Como vêem a fé nunca terá espaço nas mentes em que a busca pela VERDADE é contínua, estando presente apenas naquelas em que. a justificativa pelo desconhecido, ou pela dura realidade, passa necessariamente pela sua própria imaginação fértil, ou por aquelas que os elos culturais impostos a si, desde o nascimento, são mais fortes que o seu quociente de inteligencia.
abraços a todos
By Claudino on Ago 3, 2008
Só sei de uma coisa, A FÉ DOS ATEUS É MAIOR DO QUE DAQUELES QUE CREEM EM DEUS!!!
Não tenho fé suficiente para ser ATEU!
Muito bom este artigo, mande mais sobre este assunto!!! A NASA quer achar vida em marte a todo custo; será que isso não é fé?
By Daniel on Ago 6, 2008