Eutanásia: Deísmo
6 Junho 2008 – 1:00 pmA princípio, as repercussões da contenda em torno da eutanásia parecem estar restritas aos ambientes fechados do hospital, das famílias atingidas pelo sofrimento e morte dos seus entes queridos, e à academia de ciência jurídica.
Entretanto, o debate está posto, visto que os grupos antagônicos, contra e a favor do tema, necessitam legitimar suas posições, a fim de estabelecer a aprovação da eutanásia, como prática comum e livre. Desta forma a escolha da prática da eutanásia ficará a critério do profissional médico, do paciente ou da família, contrariando a manutenção do status atual. Porém, se o grupo oponente a esta hipótese conseguir exercer influência, fortalecerá o recrudescimento da proibição e das penas aos atentadores da vida.
Contudo, é preciso que as diversas facções sociais interessadas sentem-se à mesa, numa discussão franca, em busca do consenso, que não estabeleça vencedores ou vencidos, mas em favor da vida e da mitigação da dor e padecimento do paciente, das famílias e também ampare os profissionais de saúde no cumprimento de seu dever de administrar o melhor tratamento.
Sabe-se, porém, que esse debate será de difícil concretização, na medida que há radicalismos em todos os lados. Se de um lado, defende-se o valor da vida humana, portanto, longe da seara da disposição discricionária do homem; do outro, há aqueles que advogam a liberdade de consciência, o poder da razão, sendo o homem senhor da vida e capaz de decidir o que fazer com seu corpo.
Conclui-se do exposto: a questão da eutanásia é tão antiga quanto o próprio homem e não será fácil estabelecer meio termo que abrace todas as linhas de pensamento. Vale ressaltar que na maioria das sociedades atuais, não existe voto vencido, mesmo naquelas que avançaram, lançando legislações reguladoras da matéria, tendendo a certo grau de liberdade no tratamento da eutanásia. Porque é fato, apesar do homem evoluir em cultura, ciência e em todo o aparato tecnológico, sentir-se um deus-gigante, capaz de coisas assombrosas aos seus olhos. Porém, no âmago, ele enxerga sua fragilidade, a sua condição de mortalidade, o medo diante da dor e da morte.
Tags: bioética teológica, Deísmo, deísta, Eutanásia-religiões






Um Comentário to “Eutanásia: Deísmo”
Bom, Boa Tarde!
Gostaria saber do autor termos tecnicos.
achei muito interessante, a forma que ele atinge a emoção dos leitores, usando de expessoes frequentes, no ambito familiar que se passa o sofrimnto.
Mas gostaria de saber em que, voce se inspirou, ou tomou base para esse texto?
By Thiago Nunes on Ago 19, 2008