Agir bem é conveniente
12 Junho 2008 – 10:30 amO inglês Thomas Hobbes elaborou o conceito de soberania segundo o qual o poder do rei é absoluto e perpétuo. Absoluto quer dizer um poder que não reconhece outro acima dele. Hoje se fala em soberania das nações. Isso significa que o governo não reconhece deuses acima dele. Significa a separação entre a igreja e o estado. Uma separação muito boa para o povo porque enquanto durou a união, durou a opressão.
Ainda hoje, nos estados teocráticos existentes como no Irã, na Arábia Saudita, no Afeganistão, os governos são tiranos cheios de ódio. As guerras religiosas dilaceraram a Europa e ainda hoje dividem a Irlanda e a Indonésia. É perfeitamente possível ser bom sem religião. Os governo mais livres são justamente aqueles que não tem religião oficial. E há religiões sem deuses, como é o caso do budismo, embora alguns tenham transformado Buda num deus.
Recentemente, o Papa descreveu o budismo como uma forma de materialismo. E está certíssimo. O budismo é uma série de normas de conduta para o bem viver e conviver. Os japoneses são xintoístas, reverenciam os seus ancestrais, assim como a igreja católica faz com os santos. Conforme o pensador acima citado, T. Hobbes, o homem precisa se conduzir bem, não por medo do inferno, mas por medo da repressão social, no interesse de sua reputação e da paz da sua consciência. Diz ele que o homem é um lobo mas é também uma defesa contra os lobos. Necessita viver em sociedade e a sociedade, para subsistir, precisa de paz e respeito entre os homens. O governo garantiria este pacto. A boa conduta garante este pacto. A violação do pacto leva à perda da liberdade, como observou Salomão. Além disso, quem se conduz bem é respeitado e amado.
“Aquele que honra e respeita o seu semelhante será ele mesmo respeitado e honrado” diz o livro sagrado dos muçulmanos.
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