O Selvagem: Autoridade Sexual

22 Junho 2008 – 9:24 pm

Para explicar as hierarquias sexuais temos mais uma vez de escolher entre as teorias que enfatizam instintos imutáveis e as que pões em relevo a adaptação de estilos de vida às variáveis condições práticas e habituais. Sou a favor do conceito liberacionista feminino de que “anatomia não é destino”, o que significa que as diferenças sexuais inatas não podem responder pela desigualdade na distribuição de privilégios e poderes entre homens e mulheres nas esferas doméstica, econômica e política.

As feministas não negam que a posse de ovários, em vez de testículos, leva necessariamente a experiências de vida diferentes. O que elas negam é que haja alguma coisa na constituição biológica de homens e mulheres que, por si só, assegure maiores privilégios sexuais, econômicos e políticos aos homens do que às mulheres.

A supremacia masculina é um caso de feedback positivo, ou o que se costuma chama “desvio de amplificação” - espécie de processo que conduz a sistemas populares de gritos ensurdecedores, captando-os e então reamplificando seus próprios sinais. Quanto mais ferozes forem os homens, maior o número de guerras e maior ainda o número de homens necessários. E, também, quanto mais ferozes os homens, mais sexualmente agressivos se tornam, sendo maior a exploração das mulheres e mais alta a incidência da poligamia. A poligamia por outro lado, intensifica a carência de mulheres disponíveis, eleva o nível de frustração entre os adolescentes e aumenta a motivação para a guerra.

A amplificação conduz a um clima excruciante; as mulheres são desprezadas e assassinadas na infância, tornando necessário que os homens façam guerra para capturar esposas que criem um número adicional de homens agressivos.

Fichamento do livro:
HARRIS, Marvin: Vacas, porcos, guerras e bruxos: os enigmas da cultura. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1978. Capítulo “O Selvagem”. (ps. 70 e 73).

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