Reflexão sobre o ato de votar

Votei nulo na última eleição. Penso, seriamente, em votar nulo na próxima. O voto nulo pode ser um voto extremamente eficiente, e cabe aqui uma pequena análise da democracia brasileira.

A fase de transição entre a ditadura e a redemocratização do país começou com o apoio dos setores mais moderados da ARENA. Foi no governo de Ernesto Geisel que começou a “distensão lenta e gradual” (por distensão, entenda-se afrouxamento). Se a ditadura tivesse endurecido, e tentasse complicar ao máximo o processo, então ela duraria mais tempo. Com ou sem apoio popular. Existe um ditado que diz: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo“. Isso é a realidade nua e crua.

Houve tentativas para atrapalhar o processo de retorno à “normalidade democrática”. Não podemos nos esquecer do caso acontecido no Rio Centro em 1981, quando uma bomba explodiu “acidentalmente” próximo ao local. Mas, foram casos isolados, não podemos afirmar que toda a cúpula governamental estivesse envolvida.

A transição se deu entre as elites, e não de uma elite para o povo. Este fora usado como “massa de manobra”, porém o comando continuou a ser exercido por muitos dos antigos mandatários. Ninguém foi cassado, preso ou condenado por ter participado do “Antigo Regime”, mas apenas foram embora pra casa, e podendo voltar “democraticamente”, se quisessem.

O povo, de certa forma, foi usado para viabilizar certas disputas. É provável que alguns líderes fossem sinceros em seus discursos, entretanto, mesmo estes sabiam que era muito difícil uma participação popular mais efetiva. O povo não manda em nada, e mesmo que inconscientemente, sabe disso. Logo, pobre não vota em pobre, e sim em alguém ligado a algum grupo de poder. E muitos gostam de ser mandados, conquanto que o chefe tenha “cara de chefe”.

Tags: , novembro 15 2008

Por James Mytho

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