A Ponderação e a Falta Imponderável da Reflexão

Por Haddammann Veron Sinn-Klyss

A certeza da Ciência (a)
A certeza da Fé (b)
A certeza da Religião (c)

peixe gatoAlguém olha um cenário … vasto, arenoso, um sol rachando … E nele, inerte, como que meio socado entre a areia tórrida uma forma cúbica …

A Ciência diz: “Não é um peixe”

A Fé diz: “Não é um peixe vivo” (porque como intuição pode duvidar, inferir sem se ater a restrições)

A religião diz: “É um peixe e está nadando”

Esse “tremendo” poder que “capacita” os religiosos a fazer qualquer coisa, nos faz não comportar como colocá-los próximos a berçários, infantes, e a idosos, porque estes são frágeis demais para suportar e ficarem sozinhos ante tão tamanha grandeza que esses fiéis “crentes” têm, e no que ditam seus dirigentes, ministros, e mandantes.

Vamos considerar definitivamente:

Se você é um ser humano com um pingo de pensamento próprio, reflita (se ainda consegue, no meio de tudo em que estamos):

Considere que a figura que descendemos de um homem e uma mulher é de fato isso; somos mesmo filhos de homem e mulher. Ponto.

Considere que imaginariamente nos sentimos atirados para as estrelas; e de fato é isso, porque dos mesmos nutrientes estelares somos feitos. Ponto.

Considere que vimos a Terra, ao olharmos em redor, que estávamos num lugar maravilhoso de viver. De fato em algum momento sentimos isso.

Considere que pressentimos que nos acompanhava como que muita sorte entre tantas formas de vida que víamos. De fato nos confortávamos, e nos confortamos mesmo com isso.

Nós e a Terra, e a Terra e nós; e expandido e estirando-se um Universo esplêndido configurado com muitas estrelas.

Só podíamos mesmo pensar. Gostamos muito de nós mesmos. E nessa nossa admiração por tudo, a vaidade nos adornou singelamente.

E pensamos sinceramente: “Somos filhos dessa maravilha toda”; “E nesse pequeno ponto, tão lindo que estamos, sentimos como uma casa muito especial pra nós, que representa toda a nossa sorte; pois nela vivemos, dela gostamos, nela nos preservamos, e gozamos nossos sonhos”.

Muito bem, de certa feita, consideremos o quanto queríamos pular, correr, usufruir, trocar o que produzíamos.

Daí, em algum instante, um desvirtuamento de nossa psiquê inventou a mais sórdida imaginação: de que devíamos sem mais nem por que, entregar a uns “favorecidos”o imposto de: para termos de olhar com gosto para o Infinito, termos que nos carimbarmos como dependentes de uns “intermediários”, para expressarmos nosso sentimento; e teríamos que nos selarmos, fincando nossos pés e vidas, em arremedos ínfimos que imitam a grandiosidade da nossa Terra; e aceitarmos que outros como nós deviam se regalar às nossas custas, só para terem que nos dar “acesso”para extasiarmo-nos com o Infinito, como se não pudéssemos vislumbrar o Horizonte esfuziante de nossos sonhos, em nosso viver.

Isto é muito sério, e muito triste. Porque teremos que nos livrar disso. Para sobrevivermos como civilização precisaremos nos cuidar do prejuízo que nos trouxe isto. Porque hoje nossa mais infeliz invencionice está disposta a tudo para não deixar de cuspir quando quer na nossa cara, e pisar-nos como quer embaixo de seus pés, como se fôssemos trastes sujos que só servimos para lhes dar fartos e sobejados tantos de nosso esforçado viver.

junho 24th, 2009 | 1 Comment

Nota da diocese de Cajazeiras

NOTA DA DIOCESE DE CAJAZEIRAS SOBRE NOTÍCIAS ENVOLVENDO O PADRE DUARTE DE SANTARÉM-PB
cartaTomando conhecimento pelos meios de comunicação social, através da Rádio Difusora de Cajazeiras, nos dias 8 e 9 de maio/2009, e pela internet, de fatos envolvendo moralmente um padre residente na nossa Diocese, queremos esclarecer o seguinte:

1 - Qualquer notícia envolvendo a vida moral de qualquer padre nos dói profundamente, mostra a parte humana e pecadora dos membros da Igreja, sem tirar sua origem divina e santa (“igreja santa e pecadora”) e nos provoca a todos que temos fé, a rezar pelos pecadores e pela santificação dos padres. Renovamos tais fatos e, neste caso concreto, pedimos perdão como igreja pelo escândalo provocado.

2 – Ao noticiar o envolvimento do “Padre de Santarém”, esclarecemos que não se trata do vigário da paróquia, nomeado pela Diocese, mas o Padre Duarte, residente na referida cidade.

3 – Padre Duarte não faz parte do Clero da Diocese de Cajazeiras. Foi ordenado padre em outra Diocese, onde continua “incardinado”. Há dez anos não tem o exercício do ministério sacerdotal (apenas licença para celebrar privadamente na capela de sua residência) e não participa das atividades eclesiais de nossa Diocese. Reside em Santarém, sua terra natal, cidade da qual se considera o fundador, e onde se dedica a atividades sociais e políticas.

Esperamos que ele explique os fatos que o envolvem:
4 – Confiamos que os meios de comunicação social tratem estes casos informando a realidade dos fatos e respeitando as pessoas e instituições envolvidas.

Que Deus nos ilumine a todos!
Cajazeiras, 10 de maio de 2009
Dom José Gonzales Alonso Padre Agripino Ferreira de Assis
Dispo Diocesano Vigário Geral da Diocese
Padre Janilson Rolim Veríssimo
Coordenador da Pastoral da Comunicação

maio 31st, 2009 | Leave a Comment

Padre da Paraíba vai à web em cenas de orgia sexual

padresexualReprodução/Correio da Paraíba
Padre Duarte, sacerdote da Igreja Católica residente na cidade paraibana de Santarém, foi à internet como protagonista de cenas inusitadas.

São três vídeos. Juntos, exibem 49 minutos de uma orgia sexual. A filmagem é atribuída ao próprio padre, que aparece nu, junto com um casal.

O caso sacode o interior da Paraíba desde a última sexta (8). Santarém fica a 468 km da capital, João Pessoa.

Nesta segunda (11), a Diocese de Cajazeiras viu-se compelida a divulgar uma nota. O episódio foi às manchetes do Correio da Paraíba, um dos principais diários do Estado.

O texto da diocese é assinado por três autoridades da Igreja local:

Dom José Gonzáles Alonso, bispo diocesano de Cajazeiras; Agripino Ferreira de Assis, vigário geral da Diocese; e Janilson Rolim Veríssimo, coordenador da Pastoral da Comunicação.

Na nota, os três escrevem: “Pedimos perdão como Igreja pelo escândalo provocado”.

Acrescentam que notícias “envolvendo a vida moral de qualquer padre nos dói profundamente…”

“…Mostra a parte humana e pecadora dos membros da Igreja, sem tirar sua origem divina e santa (“Igreja santa e pecadora”)…”

“…E nos provoca a todos, que temos fé, a rezar pelos pecadores e pela santificação dos padres”.

A nota também informa que “padre Duarte não faz parte do clero da Diocese de Cajazeiras”.

Foi ordenado ”em outra Diocese”. Embora continue padre, “há dez anos não tem o exercício do ministério sacerdotal”.

Segundo o texto, ele “apenas” dispõe de “licença para celebrar [missas] privadamente na capela de sua residência”.

Antes, em entrevista telefônica a um programa chamado “Boca Quente”, da Rádio Difusora de Cajazeiras, padre Duarte defendera-se.

Disse ter sido vítima de uma “armação”. Afirmou que teria sofrido um “assalto”. Os ladrões teriam levado o seu laptop.

Fonte: Folha

maio 15th, 2009 | Leave a Comment

Criacionismo nas escolas

Eu gostaria de saber o que a senhora acha do ensino do criacionismo nas escolas?(Natalia)
Como cientista não posso acreditar no criacionismo embora defendo o princípio de que todos saibam a diferença entre a teoria científica da evolução e o criacionismo. Também não sou contra que isso seja discutido nas escolas, mas, na minha opinião, isso só poderia acontecer quando os alunos tivessem a maturidade para entender a diferença entre uma teoria baseada na pesquisa científica de outra de cunho religioso. Por exemplo, em aulas de filosofia discutir as duas correntes, sem tomar partido, seria muito interessante. Para falar desse assunto, entrevistei a doutora Roseli Fischmann, professora titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, que está diretamente envolvida nesse debate.

criacionismo

Por que voltou a polêmica entre o criacionismo e o evolucionismo?
A expressão “voltou” é bem feliz, porque em 2004 houve uma polêmica bastante intensa no Rio de Janeiro, sobre o que se fazia com publicações no meio científico. Mas de forma mais imediata, há dois aspectos. Primeiro, veio à tona o fato de que algumas escolas confessionais tradicionais em São Paulo estavam ensinando criacionismo nas aulas de ciências, inclusive com os livros didáticos ali adotados trazendo essa abordagem, e os ânimos se inflamaram. Houve os que defenderam que as escolas confessionais poderiam fazer o que bem entendessem, por serem particulares; e houve os que as acusaram de obscurantismo, por ensinarem como ciência o que é conteúdo de religião. O outro aspecto é que o debate sobre a laicidade do estado tomou força a partir do final de 2006 junto à opinião pública, e em particular quando da visita do papa Bento XVI ao Brasil em maio de 2007. Recentemente o governo brasileiro assinou um acordo internacional no Vaticano que tem impacto sobre a vida da população brasileira, e que passará pelo Congresso Nacional, para ser ou não ratificado. O impacto do caráter laico do estado também ficou claro, por exemplo, no debate no STF sobre as pesquisas com células-tronco, onde sua atuação, como cientista foi tão decisiva para permitir que se continuasse a pesquisar com liberdade, auxiliando a tantos.

evolucionismoParece, então, que além do debate científico há vários fatores envolvidos nessa temática?
Sim e não. Sim, porque há questões ligadas à estrutura do sistema escolar brasileiro e ao funcionamento das escolas privadas em comparação com as públicas; e porque envolve crianças e adolescentes, arrastando consigo uma série de outros aspectos sociais e culturais, como argumentos de fundo religioso, que precisam ser analisados com discernimento. E ao mesmo tempo não, porque é preciso destacar que o ponto mais importante nesse debate é a definição que a ciência pode dar às questões ligadas ao tema, daí a relevância de que cientistas, como é seu caso, envolvam-se em esclarecimentos à sociedade.

Sua resposta me lembra o debate das pesquisas com células-tronco embrionárias. Seria possível traçar uma linha demarcatória entre a religião e a ciência, no contexto da educação?
Sem dúvida. Estudantes mesmo muito novinhos podem entender que a ciência é uma conquista da humanidade, que tem servido à melhoria da qualidade de vida no planeta. Confundir os argumentos, invocando visões religiosas sobre a origem da vida, das espécies e do universo - que são tantas quantas religiões e espiritualidades existem sobre a face da Terra -, como sendo do mesmo tipo que as teorias científicas, não serve a nada e a ninguém. Concordo que , em níveis mais avançados, como no ensino médio, esse é um tópico excelente para ser tratado em aulas de filosofia, por exemplo.

Qual é a grande diferença, na sua opinião, entre o pensamento científico e o religioso?
Religiões, que merecem todo respeito enquanto religiões, são aceitas por seus adeptos como fruto de revelação, inspiração divina e iluminação. Por isso, não podem ser contestadas com os mesmos tipos de argumentos que se usam na ciência, até em nome da liberdade de crença e de culto. Já a ciência se funda no questionamento e no progresso contínuo, no escrutínio entre pares, ou seja, cientistas devem satisfação do que fazem aos demais cientistas, com base em métodos científicos, e é isso que lhes dá, ou não, reconhecimento. Os cientistas, para ter credibilidade, precisam comprovar as suas hipóteses o que só ocorre se elas puderem ser replicadas por outros. A ciência não depende da religião para existir e produzir, o que parece gerar um tipo de rivalidade por parte de algumas religiões, que pretendem submeter as ciências às suas normas e valores. As religiões não devem se sentir ameaçadas pelas ciências, como não deveriam se sentir inclinadas a invadir a esfera da política pública, que se dirige a todos da cidadania, independentemente de religião. Se tiverem uma mensagem que sensibilize o seu adepto nesse recôndito humano, que é a consciência, nada as impedirá de influenciar essas pessoas; e será no íntimo de cada um que se fará, ou não, essa conciliação entre o que dita a religião e o que investiga a ciência.

Como cientista, defendo que nas aulas de ciências se ensine apenas evolucionismo, é claro. Como o sistema educacional brasileiro trata essa questão?
Desde 1997 está em vigor uma série de documentos para todas as escolas do Brasil, intitulado “Parâmetros Curriculares Nacionais”, dentre os quais estão os documentos referentes a ciências. Foram fruto de um processo que envolveu pesquisadores e professores com prática da Educação Básica, redigindo versões que tomaram como base as mais avançadas propostas de educação, em nível nacional e internacional,. O conjunto dos documentos está disponível no site do MEC. Em todos eles a questão é tratada, obviamente, apenas a partir do tema do evolucionismo. Há um tema transversal dos PCNs, que redigi, denominado Pluralidade Cultural. Nesse documento há espaço para se falar de culturas, e tratar da diferença entre o que se constrói culturalmente e a busca científica.

Que diferença existe entre uma escola particular e uma escola pública, no que se refere a esse tema?
Entre as escolas não pode haver diferença no que se refere a esses conteúdos propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC. Visam definir uma referência comum a todos os estudantes do Brasil, sem tirar a liberdade da escola estabelecer seus planos de trabalho. Do ponto de vista dos direitos dos estudantes é indispensável que as escolas tenham a mesma base, até porque o direito de acesso à ciência é para todos, como o acesso à educação. O caráter confessional é plenamente reconhecido pela lei, desde que o eixo religioso da escola não submeta o eixo ligado à educação nacional. Ao funcionar regularmente, ou seja, atendendo os preceitos legais e normativos oficiais, essas escolas privadas e comunitárias, confessionais ou não, somam-se às escolas públicas, formando o sistema escolar, o qual propicia, portanto, que os pais possam escolher o tipo de educação que querem dar a seus filhos. Se as escolas confessionais quiserem ensinar criacionismo na aula de religião, poderão, é claro; mas não na aula de ciências. A ciência como obra humana auxilia o estudante de todas as idades a entender a natureza e os fenômenos biológicos, as responsabilidades que lhe são inerentes como cuidar do planeta , o respeito devido a cada ser humano, em sua dignidade inalienável. O papel da ciência, como praticada pela comunidade cientifica, é insubstituível

Mayana Zatz
Geneticista e diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano (USP) | email: mayanazatz.ciencia@gmail.com
Fonte: Veja On Line – 01/01/2009

abril 23rd, 2009 | 2 Comments

Genesis, Antropocentrismo e Ecologia

O livro de Genesis, o primeiro da bíblia, contém em seu capítulo 1 os três versículos que reproduzo abaixo:

(26) Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra.”

(27) Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.

(28) Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.”

antropocentrismoO Homem feito à imagem e semelhança de Deus? Na minha modesta opinião, tais palavras não passam de puro egocentrismo. O homem, a meu ver, é apenas mais uma criatura, dentre as muitas que habitam este planeta. É verdade que temos certos atributos. Digamos que somos dotados de uma percepção e de uma inteligência que são, provavelmente, um pouco mais refinadas que nas demais espécies; mas essa é uma idéia tendenciosa, afinal foi formulada por nós a respeito de nós mesmos…

Daí a sermos feitos “à imagem e semelhança” daquele que seria o Criador de tudo… Será que não é pretensão demais?

Essa forma antropocêntrica de pensar e enxergar o mundo tem trazido ao longo da história, muito mais danos que benefícios. Ela vem imperando na cultura judaico-cristã há milênios; e a que nos levou, afinal? À contínua degradação do meio-ambiente, sem qualquer remorso; afinal, estamos apenas cumprindo nosso papel: reinando sobre a Natureza, multiplicando-nos e submetendo a Terra aos nossos interesses mais imediatos.

Acontece, senhores, que o planeta chegou finalmente ao seu limite. A situação da Terra é alarmante e não tem retorno. Doravante, estaremos colhendo os frutos de milênios de destruição contínua da Natureza. Aonde esse processo nos levará? Ninguém sabe!

E tudo começou porque nos achamos feitos “à imagem e semelhança” do Criador!

abril 5th, 2009 | 7 Comments

Leitura no trono - exija qualidade

Tranquilidade, concentração e… privacidade! O banheiro - sim, o sanitário! - reúne pelo menos estes três requisitos básicos para aqueles que desejam uma boa leitura. Sem olvidar que a alfabetização também é pré-requisito para o aprendizado de banheiro. A leitura de banheiro é um hábito bastante salutar, principalmente para aqueles que despendem um tempo acima do comum dentro desse ambiente. Livros e, até mesmo, a bíblia, são indicados por pastores viciados em táticas ninjas de lavagem cerebral multimodal ou trans-modal, preferidos por alguns.

Estudando no Banheiro

Bastante interessante é a indicação da literatura religiosa, pois tudo é historinha mesmo, observamos ao abrir certas revistas no qual você poderá se deparar com: O Yorkshire francês de Vera Loyola está doente – Sim, mas eu estou cagando e andando para o cachorro dela! Mais um motivo para aproveitar esse momento e buscar uma leitura de alto nível.

É claro que alguns educadores exageram sua adoração pelo banheiro (conforme foto ao lado). A grande verdade é tornar a leitura mais empolgante e instrutiva mesmo que seja em um dado momento, onde o que presta entra e o que não presta sai - DIGA NÃO AO OPOSTO. Só espero que não criem uma igreja do trono de Deus.

 

março 18th, 2009 | 1 Comment

Basta de “Dogmas”; precisamos de “Utopias”! (Parte III)

Então, o que, afinal, deveria funcionar como fundamento de um sistema de crenças, como princípio de uma doutrina que, eventualmente, viesse a congregar pessoas, reunindo diferentes seres humanos em nome de um interesse comum? A meu ver, em vez de ser desempenhado pelos “Dogmas”, este papel poderia caber às “Utopias”!

Mas o que são “Utopias”? Vamos nós, de novo, ao Aurélio.

Segundo o Aurélio, “Utopia” é um “País imaginário, criação de Thomas Morus (1480-1535), escritor inglês, onde um governo, organizado da melhor maneira, proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz”.

O Aurélio também define “Utopia”, por extensão, como “Descrição ou  representação de qualquer lugar ou situação ideais onde vigorem normas e/ou instituições políticas altamente aperfeiçoadas” ou “Projeto irrealizável; quimera; fantasia”. A palavra “Utopia” exprime, então, um mundo perfeito, uma situação ideal que, por outro lado, também seria algo impossível de realizar, uma fantasia, um sonho. Em que, então, uma “Utopia” seria melhor que um “Dogma”, para fundamentar um sistema de crenças ou embasar uma doutrina?

Acredito que as “Utopias”, embora tidas como irrealizáveis, quimeras ou sonhos, são, diferentemente dos “Dogmas”, algo racionalmente elaborado pelos seres humanos. Algo que, ao contrário dos Dogmas, pode e até deve ser discutido, conversado e propagado, funcionando para reunir pessoas em torno de uma meta ou interesse comum. Um objetivo que, embora em princípio pareça inalcançável, poderia, eventualmente, ser atingido. A reunião de pessoas em torno de uma “Utopia”, qualquer que seja ela, poderia tranquilamente gerar grandes idéias e dar espaço a discussões aprofundadas, que originariam movimentos, tendências, revoluções e assim por diante. E isso é o que o Homem tem de melhor! A faculdade de discutir, conversar, tergiversar e, por meio disso, tornar o que antes era “irrealizável”, “fantasioso”, “sonho”, em algo concreto e palpável, que pode beneficiar milhões e milhões de pessoas.

Então, para concluir, me parece que as “Utopias” funcionariam muito melhor que os “Dogmas”, enquanto agentes de congregação de pessoas. Dado o fato de poderem ser discutidas, de poderem servir de tema para o discurso e a interação entre seres humanos, as “Utopias” seriam muito mais produtivas que os “Dogmas”, resultando certamente em progresso para a humanidade, e não em crenças doentias ou fundamentalismos cegos. Além disso, qual é o ser humano que não tem sonhos? Quem não tem um ideal para atingir? É disso que somos feitos e não de “Verdades Absolutas” e “Crenças Cegas”!

fevereiro 22nd, 2009 | Leave a Comment

Considerações finais da Mídia Empresarial-Religiosa

A perda de função da religião como ordenadora do cosmos e definidora de todas as situações abriu espaço necessário para o surgimento das MER’s. Mesmo cientes de que as denominações, as igrejas autônomas e as lideranças evangélicas estejam no mercado religioso, as MER’s, se colocando na interseção dos campos econômico e religioso se destacam na audiência pela eficiência com que articulam ditames empresariais com discurso religioso. As MER’s são fruto de uma situação de pluralismo e de uma sociedade de mercado. O fato das rádios El Shadai e Melodia alcançarem maior audiência que as concorrentes denominacionais e autônomas que nem figuram entre as dez mais ouvidas, evidencia a colocação estratégica dessas MER’s na interseção dos campos econômico e religioso.

Mídia e ReligiãoQuando, as MER’s abrem espaços nas suas programações para as igrejas e denominações sem inserção independente na mídia anunciarem seus eventos, fazerem pequenas meditações, participarem de debates com suas lideranças, patrocinarem programas. Elas se colocam de maneira estrategicamente empresarial no campo religioso, puxando para si a audiência de todas essas igrejas e denominações. Entretanto, apesar de entendermos que a recepção da audiência sempre é improvável, ou seja, que todos esses fatos não garantem que os membros das igrejas e denominações agraciadas pelas MER’s sejam ouvintes assíduos, os números recentes apresentados evidenciam que de alguma forma há uma considerável audiência dessas rádios que merece um estudo mais aprofundado.

Vale ressaltar que essas MER’s estrategicamente disputam a audiência geral na região metropolitana do Rio de Janeiro e que não há nenhuma evidencia que comprove o interesse missionário dessas rádios, mas todos os indicadores apontam para a livre concorrência no segmento evangélico.
Read More …

fevereiro 19th, 2009 | 1 Comment

Basta de “Dogmas”; precisamos de “Utopias”! (Parte II)

A meu ver, o fato de as diferentes religiões usarem o “Dogma” como essência, como base final e indiscutível, não passa de uma estratégia para que ganhem mais adeptos; um estratagema para aumentarem seu número de fiéis. Quando um grupo qualquer de seres humanos estabelece algo como “Verdade Final”, essa “Verdade Final” funciona apenas como terreno-base ou pedra fundamental para que se estabeleça uma estrutura doutrinária e uma relação de poder entre esses mesmos seres humanos.

E por ser o Homem, obviamente, um animal social, essa estrutura doutrinária e relação de poder, estabelecida inicialmente entre uns poucos seres humanos, tenderá a crescer e tornar-se mais complexa; em outras palavras, o número de adeptos ou simpatizantes dessa tal “Verdade Final” irá aumentar progressivamente, até atingir o status de religião instituída e dotada de inúmeros fiéis, crentes cegos naquela “Verdade Final” que, afinal de contas, não passa de um meio baixo para agregar pessoas. Algo que não foi coletivamente elaborado e discutido, que não resultou do diálogo e troca de idéias entre pessoas. Algo que não veio de um senso coletivo ou do mundo real, mas da cabeça ou dos delírios de um único ou de uns poucos sujeitos. Em outras palavras, “conversa fiada para boi dormir”…

Nesse sentido, é possível estabelecer-se um paralelismo, uma relação próxima entre as religiões instituídas e os partidos políticos. E não é à toa que muitas dessas igrejas de galpão espalhadas por aí, muitas vezes, elegem seus “pastores” como deputados; existindo até uma bancada evangélica no Congresso Nacional…

Assim sendo, a meu ver, os “Dogmas” não seriam uma base adequada para servir de fundamento a um sistema de crenças ou doutrina. Eles, isto sim, funcionariam como um instrumento de fácil construção, usado para agregar pessoas e reunir “fiéis cegos”, capazes de qualquer coisa para atender aos desígnios de sua crença; por exemplo, encher de dinheiro os bolsos dos “bispos” (caso de muitas seitas evangélicas brasileiras) ou atirar bombas e matar gente para chegar ao paraíso e “desfrutar de rios de leite em companhia de 70 virgens” (o ideal dos suicidas da Al Qaeda)…

fevereiro 16th, 2009 | Leave a Comment

Lembra-te de Darwin

É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência.

De André Petry na VEJA (05/02/2009):

É assustador que, às vésperas do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, escolas brasileiras estejam ensinando criacionismo nas aulas de ciências. Já se sabia que as escolas adventistas fazem isso. A novidade é que o negócio está se propagando. Em instituições tradicionais de São Paulo, como o Mackenzie, inventou-se até um método próprio para o ensino. “Antes, usávamos o material que havia disponível no mercado”, explica um dos diretores da escola, Francisco Solano Portela Neto.
O criacionismo é ensinado como ciência da pré-escola à 4ª série.

Não há problema em que o criacionismo seja dado nas aulas de religião, mas ensiná-lo em aulas de ciências é deseducador. Criacionismo é a explicação bíblica para a origem da vida. Diz que Deus criou tudo: o homem, a mulher, os animais, as plantas, há 6 000 anos. Quem estuda religião precisa saber disso. É uma fábula encantadora, mas não é ciência.

É inaceitável que o criacionismo seja ensinado em biologia para explicar a origem das espécies. Em biologia, vale o evolucionismo de Darwin, segundo o qual todos viemos de um ancestral comum, há bilhões de anos, e chegamos até aqui porque passamos no teste da seleção natural. É a melhor (e por acaso a mais bela) explicação que a ciência encontrou sobre a aventura humana na Terra.

Quem contrabandeia o criacionismo para as aulas de biologia diz que, em respeito à “liberdade de pensamento”, está “mostrando os dois lados” aos alunos. Afinal, são escolas religiosas, confessionais, e os pais podem ter escolhido matricular seus filhos ali exatamente porque o criacionismo é visto como ciência. Pode ser, errar é livre, mas que embrutece não há dúvida.

 

Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência. É desnecessário. Que cientistas saem de escolas que embrulham o racional com o místico? Também é cascata, porque, fosse verdade, a turma estaria ensinando numerologia em matemática. Ensinaria alquimia em química, dizendo, em nome da “liberdade de pensamento”, que é possível transformar zinco em ouro e encontrar o elixir da longa vida…

Há pouco, na Inglaterra, um reverendo anglicano defendeu o estudo do criacionismo na educação básica. Era diretor de educação da Royal Society. Queria colocar Deus no laboratório da escola. Cortaram-lhe o pescoço. A Suprema Corte americana já examinou o assunto. Mandou o criacionismo de volta às aulas de religião. No Brasil, terra do paradoxo, o atraso avança.

Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não se sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho. Nem que a Terra tem 4,5 bilhões de anos e que os continentes flutuam sobre o magma. No entanto, a teoria da evolução se encaixa à perfeição nas descobertas da genética, da datação radioativa, da geologia moderna. Só um cérebro poderosamente equipado, conjugado com muito estudo, pode ir tão longe. Confundido com criacionismo, Darwin parece um macaco tolo. É assustador.

fevereiro 13th, 2009 | Leave a Comment

Powered by WordPress | Blog Oh! Blog | Assine Feed (RSS). Política de Pricidade.