Eutanásia - Deísmo

A princípio, as repercussões da contenda em torno da eutanásia parecem estar restritas aos ambientes fechados do hospital, das famílias atingidas pelo sofrimento e morte dos seus entes queridos, e à academia de ciência jurídica.

Entretanto, o debate está posto, visto que os grupos antagônicos, contra e a favor do tema, necessitam legitimar suas posições, a fim de estabelecer a aprovação da eutanásia, como prática comum e livre. Desta forma a escolha da prática da eutanásia ficará a critério do profissional médico, do paciente ou da família, contrariando a manutenção do status atual. Porém, se o grupo oponente a esta hipótese conseguir exercer influência, fortalecerá o recrudescimento da proibição e das penas aos atentadores da vida.

Contudo, é preciso que as diversas facções sociais interessadas sentem-se à mesa, numa discussão franca, em busca do consenso, que não estabeleça vencedores ou vencidos, mas em favor da vida e da mitigação da dor e padecimento do paciente, das famílias e também ampare os profissionais de saúde no cumprimento de seu dever de administrar o melhor tratamento.

Sabe-se, porém, que esse debate será de difícil concretização, na medida que há radicalismos em todos os lados. Se de um lado, defende-se o valor da vida humana, portanto, longe da seara da disposição discricionária do homem; do outro, há aqueles que advogam a liberdade de consciência, o poder da razão, sendo o homem senhor da vida e capaz de decidir o que fazer com seu corpo.

Conclui-se do exposto: a questão da eutanásia é tão antiga quanto o próprio homem e não será fácil estabelecer meio termo que abrace todas as linhas de pensamento. Vale ressaltar que na maioria das sociedades atuais, não existe voto vencido, mesmo naquelas que avançaram, lançando legislações reguladoras da matéria, tendendo a certo grau de liberdade no tratamento da eutanásia. Porque é fato, apesar do homem evoluir em cultura, ciência e em todo o aparato tecnológico, sentir-se um deus-gigante, capaz de coisas assombrosas aos seus olhos. Porém, no âmago, ele enxerga sua fragilidade, a sua condição de mortalidade, o medo diante da dor e da morte.

Por Lordelo em 6 junho 2008 | 1 Comentário

Eutanásia - Budismo

Surgiu na Índia, por meio de Siddartha Sakya-muni Gautama(556-476 a.C.), que alcançou a iluminação quando meditava sob a árvore Bô, a partir de então recebe o título de Buda, o iluminado. Em linhas gerais, o objetivo central do praticante é alcançar o nirvana, estado de iluminação e perfeição, “aniquilamento do ódio, o aniquilamento do desvario (p. 52)”. O Buda não é deus, portanto essa religião não se perde em discutir se há um deus criador, para eles a salvação é alcançada pela purificação das ilusões da vida material por meio da meditação: “o caminho da salvação é a retidão; é a meditação; é a sabedoria ( p.41)”.
O tema é controvertido, pois está conectado com a visão de integralidade da mente, corpo e espírito e ao significado da vida e da morte. O budista enxerga a vida interligada entre todos os seres vivos:

Os budistas apelam para a noção de interdependência ao abordar os dilemas éticos. Em relação ao suicídio assistido e assuntos relacionados, a perspectiva budista enfatiza o processo de decisão. Eles procuram levar em consideração todos os aspectos do sofrimento, equilibrando o desejo do indivíduo por uma morte suave com o dever do médico de não causar dano e o desejo da sociedade de preservar a vida.[...] Uma vez que a vida é transitória e a morte inevitável, e uma vez que a missão espiritual é transcender este mundo, existe uma percepção comum de que a vida e a morte devem seguir seu curso natural [...] (PESSINI, 1999).

Nesta perspectiva, o budismo diz que a morte não é o fim da existência, mas uma passagem, em especial “os japoneses valorizavam mais a paz da mente e a honra da vida do que uma vida longa.” (PESSINI, 1999). O código de honra samurai prescreve o suicídio ritual como uma forma honrada de morrer em certas circunstâncias, tais como a morte iminente, a derrota em batalha ou até a ordem de senhor. Nas cerimônias do seppuku (suicídio ritual) que consistia no ato de introduzir e cortar o abdômen com a espada curta, nesta hora o guerreiro contava com um assistente que lhe cortava a cabeça com a finalidade de abreviar o sofrimento. Segundo (PESSINI, 1999) os budistas empregam elevada ênfase ao estado de consciência e paz no momento da morte.

Não existe uma oposição ferrenha à eutanásia ativa e passiva, que podem ser aplicadas em determinadas circunstâncias.[...] Resumindo, a perspectiva budista em relação à eutanásia é: no budismo, embora a vida seja preciosa, não é considerada divina, pois não existe a crença em um ser supremo ou deus criador.[...] A resistência em apressar a morte e remoção de órgãos deriva da imagem tradicional que vê os seres humanos como unidades completamente integradas mente e corpo.(PESSINI, 1999).

[1] PESSINI, Léo. A Eutanásia na Visão das Grandes Religiões Mundiais: (Budismo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo), 1999. Disponivel no sítio, acessado em 6 de maio de 2007.

Por Lordelo em 2 maio 2008 | Comente

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