Um pouco da histórica relação entre mídia e evangélicos

O evangelicalismo [5], sobretudo o que aportou em terras brasileiras, tem como uma de suas marcas a Palavra escrita e falada, a Bíblia. A centralidade da Palavra sempre foi fundamental para esse tipo de culto onde todas as atitudes e decisões deviam fazer referência ao texto bíblico. Tal evangelicalismo foi e, em certa medida, ainda é marcado por um fundamentalismo característico de sua origem sulista norte-americana.[6]

Porém, há pelo menos duas décadas os evangélicos vêm despertando interesse de variados segmentos de nossa sociedade, principalmente da mídia, por estarem estes assumindo diferentes posições e investidas no campo religioso, entre elas: a) o surgimento da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) na década de 1980, sua inserção ressignificadora no campo religioso brasileiro e suas relações com a mídia; b) a atuação da bancada evangélica na constituinte de 1988 e conseqüente crescimento de políticos evangélicos nas mais variadas eleições do país; c) o crescimento dos evangélicos em paralelo com o declínio católico apontado nos censos do IBGE.[7]

Entendemos que o campo religioso brasileiro é bastante difuso com variados matizes e ideologias. Mais especificamente, o campo religioso evangélico é um caleidoscópio, em que igrejas são formadas, se dividem e se unem a outras construindo assim um tipo especial de protestantismo. Sendo assim, causa estranheza quando a mídia se refere aos evangélicos como se estes tivessem uma união programática e ideológica muito bem definida e articulada.

Alguns estudos mostram os primórdios da relação entre evangélicos e mídia[8]. A partir de 1940 surgiram no Brasil os primeiros programas evangélicos no rádio e as denominações pioneiras foram a Igreja Adventista, a primeira a alcançar o rádio a nível nacional, e algumas pentecostais como a Assembléia de Deus, a Igreja do Evangelho Quadrangular, O Brasil Para Cristo e a Igreja Deus é Amor. O modelo desses programas nos primeiros anos era norte-americano, e posteriormente, passaram a ser idealizados por brasileiros.

Um fato curioso aconteceu no Rio de Janeiro. Em fins da década de 1950 o missionário canadense Robert McAlister começou um programa de rádio (A voz da Nova Vida) que posteriormente deu origem à Igreja de Nova Vida em 1960. Na mesma década começaram acontecer os primeiros programas evangélicos na televisão. Esses programas eram locais, de curta duração e novamente, os adventistas saíram na frente com um programa primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro. Em meados da década de 1960, o missionário Robert McAlister da Igreja de Nova Vida iniciou seu programa na TV Tupi/Rio, sendo o primeiro pentecostal a ingressar na televisão. Outras iniciativas foram acontecendo ao longo da década de 1970, mas nada como a importação dos tele-evangelistas norte-americanos. Eram muitos os programas de TV evangélicos norte-americanos nesta década.Independente de denominações, tais programas se apoiavam no carisma de seus líderesque possuíam várias tendências teológicas e ideológicas. Essa iniciativa foi chamada de Igreja Eletrônica[9]. Programas como Alguém Ama Você de Rex Humbard, Clube 700 de Pat Robertson, e os cultos do Pastor Jimmy Swaggart eram transmitidos para todo território nacional.

Contudo, tais programas não surtiram o mesmo efeito que tinham nos Estados Unidos, ou seja, não tiveram aqui o poder de mobilização e pressão que exerciam entre os norteamericanos, entre outras coisas, porque eram produzidos em outra cultura, com outra perspectiva de vida diferente da dos brasileiros. Esses programas duraram até meados da década de 1980, quando a produção nacional de televisão cresceu e tornou-se independente da produção estrangeira.

Em 1989, quando várias denominações detinham concessões de rádios, a IURD adquiriu a Rede Record de Televisão se tornando a primeira denominação evangélica a ser proprietária de uma televisão com cobertura nacional. Os estudos supracitados enfatizam a repercussão deste fato.
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Por Luther Santana em 13 novembro 2008 | 7 Comentários

“Sob a proteção de Deus”

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil.” (Texto introdutório - preâmbulo - da Constituição da República Federativa do Brasil).

A República Brasileira se constitui como um Estado laico onde a religião - seja ela qual for - não pode interferir em nenhuma decisão dos agentes públicos. Logo, o Estado é agnóstico pois qualquer posicionamento metafísico ou teológico está fora de seu ambito de atuação.

No preâmbulo de nossa Constituição, os deputados constituintes proclamam que nosssa sociedade é “fraterna, pluralista e sem preconceitos“, porém eles promulgam o referido texto constituicional “sob a proteção de Deus”. Ora, como isto pode ser possível se o Estado é laico ? Quer dizer, o Estado pode ter a proteção de algo de uma dimensão fora do campo de atuação dele mesmo ?

A própria Constituição diz:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público.

Ou seja, o Estado não pode patrocinar cultos religiosos de espécie alguma, e nem atrapalhar-lhes o funcionamento. Os religiosos, obviamente, também são cidadãos, e eles têm todo o direito de praticarem suas práticas religiosas nos respectivos templos ou em suas residências. Mas, o Estado não pode fazer alusão a nenhuma cosmovisão específica. Poderíamos fazer algumas perguntas:

1. A que Deus os deputados se referiam no texto constitucional ?
2. Como poderiam ter certeza que esse Deus estaria protegendo-os ?
3. Esse Deus protegeria também todos os cidadãos ou só os membros de alguma religião específica ?

A República Brasileira é laica desde 1891, ademais temos uma sociedade secularizada e multicultural, então, jamais poderiam generalizar um conceito teológico e alvo de múltiplas interpretações.

Por James Mytho em 10 outubro 2008 | Comente

Religião e mercado - A mídia empresarial religiosa

De modo geral, nos estudos, sobre a relação evangélicos [1] e mídia [2] a ênfase recai na possível influência dos veículos de comunicação em relação ao crescimento deste grupo, no discurso e posicionamento político que o grupo assume em suas mídias ou na concorrência entre igrejas proprietárias de empresas de mídia. Também é crescente o interesse sobre a relação entre evangélicos e televisão, por ser o maior meio de comunicação de nossa época, por envolver cifras astronômicas, pelas imagens fortes e agressivas que as igrejas usam.

A maioria desses estudos fala de mídia de modo geral, incluindo aí vários veículos de comunicação, como a televisão, o rádio, e a literatura. Neste artigo, nosso interesse se volta para o rádio por entendermos ser o meio de comunicação mais popular do Brasil. A dinâmica da comunicação no rádio é diferente: direta, intimista e inclusiva. Hoje as pessoas ouvem rádio em quase todos os lugares, em escritórios, em consultórios, em casa, em bairros que tenham sistema de som público que funcionam nas ruas, em lojas, no carro. O rádio tem um alcance maior que a televisão.

Interessam-nos as rádios orientadas para o público evangélico, em especial duas emissoras que atingem a toda região metropolitana do Rio de Janeiro, a Rádio Melodia FM 97,3 e a Rádio El Shadai FM 93,3.[3] Para tanto, forjamos conceitos que articulados podem nos dar uma condição melhor de análise do alcance dessas rádios sobre esse público. Denominamos essas empresas de comunicação como Mídia Empresarial-Religiosa (MER), porque entendemos que elas fazem a interseção entre o campo econômico e o campo religioso, utilizando estratégias mercantis e empresariais articuladas à semântica religiosa,no caso, evangélica. Ao longo desse artigo outros conceitos serão utilizados para demonstração da validade do termo Mídia Empresarial-Religosa (MER).[4]

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Por Luther Santana em 30 setembro 2008 | 1 Comentário

Religiões ainda são necessárias

Nada tenho contra as religiões, inclusive entendo que elas se fazem necessárias como instrumentos de assistência social. O meu objeto de crítica é o autoritarismo religioso, as incoerências, os desmandos, e os pseudo-pecados. As religiões falharam no seu papel social, não acabando com as injustiças sociais, com as discriminações, e com as mazelas humanas. Pelo contrário, a religião se utiliza destas coisas para exercer a sua influência social, para concretizar o seu projeto de poder político-econômico. Em troca, o que as pessoas ganham ? Um consolo ? A paz de espírito ? A salvação ? Será que é assim mesmo ?

Existem três formas de religião: a institucional, a comunitária e a pessoal. A primeira forma está em franca decadência, apesar das tentativas desesperadas de alguns religiosos de revigorá-la.

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Por James Mytho em 1 abril 2008 | Comente

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