Eutanásia - Budismo

Surgiu na Índia, por meio de Siddartha Sakya-muni Gautama(556-476 a.C.), que alcançou a iluminação quando meditava sob a árvore Bô, a partir de então recebe o título de Buda, o iluminado. Em linhas gerais, o objetivo central do praticante é alcançar o nirvana, estado de iluminação e perfeição, “aniquilamento do ódio, o aniquilamento do desvario (p. 52)”. O Buda não é deus, portanto essa religião não se perde em discutir se há um deus criador, para eles a salvação é alcançada pela purificação das ilusões da vida material por meio da meditação: “o caminho da salvação é a retidão; é a meditação; é a sabedoria ( p.41)”.
O tema é controvertido, pois está conectado com a visão de integralidade da mente, corpo e espírito e ao significado da vida e da morte. O budista enxerga a vida interligada entre todos os seres vivos:

Os budistas apelam para a noção de interdependência ao abordar os dilemas éticos. Em relação ao suicídio assistido e assuntos relacionados, a perspectiva budista enfatiza o processo de decisão. Eles procuram levar em consideração todos os aspectos do sofrimento, equilibrando o desejo do indivíduo por uma morte suave com o dever do médico de não causar dano e o desejo da sociedade de preservar a vida.[...] Uma vez que a vida é transitória e a morte inevitável, e uma vez que a missão espiritual é transcender este mundo, existe uma percepção comum de que a vida e a morte devem seguir seu curso natural [...] (PESSINI, 1999).

Nesta perspectiva, o budismo diz que a morte não é o fim da existência, mas uma passagem, em especial “os japoneses valorizavam mais a paz da mente e a honra da vida do que uma vida longa.” (PESSINI, 1999). O código de honra samurai prescreve o suicídio ritual como uma forma honrada de morrer em certas circunstâncias, tais como a morte iminente, a derrota em batalha ou até a ordem de senhor. Nas cerimônias do seppuku (suicídio ritual) que consistia no ato de introduzir e cortar o abdômen com a espada curta, nesta hora o guerreiro contava com um assistente que lhe cortava a cabeça com a finalidade de abreviar o sofrimento. Segundo (PESSINI, 1999) os budistas empregam elevada ênfase ao estado de consciência e paz no momento da morte.

Não existe uma oposição ferrenha à eutanásia ativa e passiva, que podem ser aplicadas em determinadas circunstâncias.[...] Resumindo, a perspectiva budista em relação à eutanásia é: no budismo, embora a vida seja preciosa, não é considerada divina, pois não existe a crença em um ser supremo ou deus criador.[...] A resistência em apressar a morte e remoção de órgãos deriva da imagem tradicional que vê os seres humanos como unidades completamente integradas mente e corpo.(PESSINI, 1999).

[1] PESSINI, Léo. A Eutanásia na Visão das Grandes Religiões Mundiais: (Budismo, Islamismo, Judaísmo e Cristianismo), 1999. Disponivel no sítio, acessado em 6 de maio de 2007.

Por Lordelo em 2 maio 2008 | Comente

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